Resumo rápido
- Chuva pode: motor, bateria, fios e painel saem de fábrica com vedação. Procure as letras IP no anúncio: o segundo número é o da água.
- Enxurrada não: nenhum IP é de mergulho. Se você não enxerga o chão debaixo da água, ou se ela chega no meio da roda, não passe.
- Bateria não conta tempo, conta ciclos: uma de lítio aguenta de 500 a 1.000 ciclos, algo como 2 anos e pouco a quase 5 anos para quem roda 30 km por dia.
- No fim da vida útil a bateria não morre: só guarda menos carga. A bike que fazia 37 km passa a fazer uns 25 a 30 km.
- A conta de 5 anos, no pior cenário: cerca de R$ 9.500 com a V9 Max e duas baterias novas, contra uns R$ 14.000 de ônibus e mais de R$ 20.000 de moto popular.
Neste vídeo, o Luan Amancio responde os dois medos que fazem muita gente desistir da bike elétrica: "ela não pode pegar chuva" e "em 2 anos tenho que jogar a bateria fora". Ele usa o que dizem os fabricantes, o que acontece na Holanda e uma conta de 5 anos no pior cenário.
Bike elétrica pode pegar chuva?
Pode. Ela é feita para a rua, e na rua chove: motor, bateria, fios e painel saem de fábrica com vedação. Para saber quanta água a sua aguenta, procure no anúncio as duas letras IP. O primeiro número depois delas é a poeira; o segundo, o que importa aqui, é a água. Muita bike vendida no Brasil vem com IP54, em que o 4 quer dizer água espirrando de qualquer lado, ou seja, chuva. O anúncio da GT2000, que o Luan já mostrou no canal, fala em IP6, que aguenta até jato forte de água. Mas nenhum desses números quer dizer que a bike pode ficar debaixo d'água.
A prova da Holanda
Na Holanda, quase metade das bicicletas novas vendidas no ano passado eram elétricas, e em Amsterdã chove cerca de 130 dias por ano, mais de um dia a cada três. O holandês veste a capa e vai trabalhar, leva o filho na escola e vai ao mercado. A Gazelle, uma das marcas mais tradicionais de lá, responde no próprio site que sim, você pode andar com a sua bike elétrica na chuva.
Chuva de São Paulo é diferente da chuva de Amsterdã
Em São Paulo chove praticamente o dobro do que chove em Amsterdã, e a água vem concentrada de outubro a março, muitas vezes num temporal só: aquele fim de tarde em que em meia hora a rua vira um rio. Lá a chuva é fraca e espalhada pelo ano inteiro. Por isso aqui o cuidado com a enxurrada pesa mais.
Chuva pode, enxurrada não
A chuva cai de cima, e a vedação da bike foi pensada para isso: a água bate e escorre. Na enxurrada a água vem de baixo, com força, e fica em volta das peças. O motor fica no meio da roda, os fios e encaixes ficam embaixo, e em algumas bikes a bateria fica perto do chão. Depois do furacão Ian, em 2022, a associação de lojas de bicicleta dos Estados Unidos avisou os donos de bike elétrica: bateria que ficou debaixo d'água, mesmo que só em parte, pode estar danificada e não deve ir para a tomada, porque pode pegar fogo. Com água salgada é pior. A regra é a mesma de carro e moto: se você não enxerga o chão debaixo da água, não passe; se a água chega no meio da roda, espere baixar ou pegue outra rua. E se a bike ficar debaixo d'água, por exemplo numa garagem alagada, não ligue, não coloque a bateria para carregar e leve a uma assistência técnica antes de tudo.
Três cuidados para a chuva do dia a dia
Primeiro, chegou molhado em casa: passe um pano, principalmente onde a bateria encaixa, e só ponha para carregar depois de seca. Segundo, ela pode andar na chuva, mas não foi feita para morar na chuva: se fica do lado de fora, cubra com uma capa, que é barata e evita água parada no painel e nos encaixes. Terceiro, na hora de lavar, nada de lava-jato: a Bosch, uma das maiores fabricantes de motor de bike elétrica do mundo, não recomenda jato de alta pressão de maneira nenhuma. Pano, balde e água resolvem.
Bateria de bike elétrica dura 2 anos?
É um mito, e ele tem dois erros. O primeiro: bateria não conta tempo, conta ciclo. Um ciclo é encher a bateria do zero aos 100%; carregar da metade até o cheio duas vezes dá um ciclo só. Uma bateria de lítio dessas aguenta de 500 a 1.000 ciclos. Numa bike como a V9 Max, que anda uns 37 a 40 km por carga, isso dá de 18.500 a uns 37.000 km, quase uma volta no planeta. Para quem roda 30 km por dia, de segunda a sexta, são de 2 anos e pouco a quase 5 anos; quem roda menos vai mais longe. O segundo erro: no fim dos ciclos a bateria não morre, só guarda menos carga. Na Europa, o comum é considerar a bateria gasta quando ela guarda entre 60% e 80% do que guardava nova. A bike que fazia 37 km passa a fazer uns 25 a 30 km, e se o trabalho fica a 10 km de casa ela continua te levando e trazendo. Você só troca quando ela não der mais conta do seu caminho.
Como fazer a bateria durar mais
O que mais estraga a bateria de lítio não é o tempo, é o calor. Não deixe a bike no sol forte nem a bateria esquecida no porta-malas quente do carro. Chegou do passeio com a bateria quente? Espere esfriar um pouco antes de colocar na tomada. E use sempre o carregador original que veio com a bicicleta.
Quanto custa trocar a bateria
Outro mito é que a bateria custa metade da bike. A mais comum nessas bicicletas, a de 48 V e 15 Ah, estava à venda no Mercado Livre em setembro por menos de um quarto do preço de uma V9 Max, que hoje sai a partir de R$ 5.949. E é uma troca a cada 2, 3 ou 4 anos, dependendo de como você cuidou dela. Na hora de comprar, peça uma igual à original: mesma voltagem, mesma amperagem e o mesmo encaixe do quadro. Para quem roda muito, a V9 Max também tem uma versão com duas baterias: cada uma faz metade do trabalho, demora mais para chegar ao fim dos ciclos, e você roda mais sem procurar uma tomada.
O preço do dia faz diferença
No dia da gravação, a mesma V9 Max de uma bateria aparecia por R$ 5.949 em um anúncio e por R$ 6.656 em outro, uma diferença de uns R$ 700, boa parte de uma bateria nova. Os R$ 5.949 eram o menor preço dela em um mês. Quem paga menos é, muitas vezes, quem compra no dia certo, e é por isso que o Luan mantém um grupo de ofertas no WhatsApp, gratuito, onde avisa quando uma bike elétrica cai de preço de verdade. Os preços mudam o tempo todo: confira no anúncio antes de comprar.
A conta de 5 anos: bike, ônibus ou moto
Imagine alguém que vai e volta do trabalho 30 km por dia, de segunda a sexta, em São Paulo. De ônibus, pagando a passagem do bolso, são uns R$ 230 por mês: cerca de R$ 14.000 em 5 anos. Com a V9 Max, no pior cenário, com a bateria durando o mínimo e trocando duas vezes pela mais cara, a bike, as duas baterias novas e a luz da tomada de casa somam uns R$ 9.500. Sobram mais de R$ 4.000 no bolso, e a bike continua sendo sua; o dinheiro da passagem não volta. Uma moto popular nova, com gasolina e impostos, passa de R$ 20.000 em 5 anos, fora a habilitação. Mesmo trocando a bateria, a bike elétrica sai bem mais barata que o ônibus e que a moto, e você sai na hora que quer, sem esperar ônibus lotado nem ficar no trânsito parado.
Conclusão
Resposta curta: chuva pode, enxurrada não. E a bateria está longe do monstro que contaram: ela conta ciclos, perde carga aos poucos em vez de morrer de uma vez e custa uma fração do preço da bike. Se esses dois medos eram o que te segurava, a conta de 5 anos mostra que mesmo trocando a bateria a bike elétrica sai bem mais barata que ônibus e moto. Antes de comprar, confira o IP no anúncio e o preço do dia.
Perguntas frequentes
Bike elétrica pode pegar chuva?
Pode. Motor, bateria, fios e painel saem de fábrica com vedação. Procure no anúncio as letras IP: o segundo número é a proteção contra água. Muitas bikes vêm com IP54, que aguenta água espirrando de qualquer lado.
Posso passar por enxurrada ou rua alagada?
Não. Nenhum IP é de mergulho. Se você não enxerga o chão debaixo da água, ou se ela chega no meio da roda, não passe: espere baixar ou pegue outra rua.
E se a bike ficar debaixo d'água?
Não ligue, não coloque a bateria para carregar e leve a bike a uma assistência técnica antes de tudo. Bateria que ficou submersa, mesmo em parte, pode pegar fogo na tomada.
Posso lavar a bike elétrica com lava-jato?
Não. A Bosch, fabricante de motores de bike elétrica, não recomenda jato de alta pressão: a água forte entra onde não devia. Use pano, balde e água.
Quanto tempo dura a bateria de uma bike elétrica?
Uma bateria de lítio aguenta de 500 a 1.000 ciclos de carga completa. Para quem roda 30 km por dia, de segunda a sexta, são de 2 anos e pouco a quase 5 anos. No fim, ela não morre: só guarda menos carga.
Quanto custa trocar a bateria?
A bateria mais comum, de 48 V e 15 Ah, estava à venda no Mercado Livre em setembro por menos de um quarto do preço de uma V9 Max. Compre uma igual à original: mesma voltagem, mesma amperagem e o mesmo encaixe do quadro.
Bike elétrica compensa mais que ônibus ou moto?
No cálculo do vídeo, para 30 km por dia durante 5 anos, no pior cenário a V9 Max sai por uns R$ 9.500 contra uns R$ 14.000 de ônibus e mais de R$ 20.000 de uma moto popular nova.
Valores e opiniões refletem o vídeo na data da gravação. Preços mudam o tempo todo; confira sempre no anúncio.
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